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GRUPO DE REISADO EM ITATIRA COMPLETOU 104 ANOS DE TRADIÇÃO

Atualizado: Jan 10


Imagem Lenno Lopes

A tradição do reisado do município de Itatira completou este ano de 2021, 104 anos. São Gonçalo, comunidade do Distrito de Cachoeira, é o povoado que iniciou essa tradição em Itatira.


O fato da cidade Itatira ter como padroeiro Menino Deus que até 1951 era conhecida como Belém, era tradição a apresentação do Grupo de Reisado da comunidade de São Gonçalo nas celebrações dos festejos alusivos ao padroeiro Menino Deus todos os anos.


No estudo realizado pelo historiador Professor Vandeir Torres no livro “História de Itatira dos Primórdios Aos Dias Atuais,” relata que o Reisado da comunidade itatirense de São Gonçalo caracteriza-se como sendo "Reis de careta". E que é uma tradição praticada desde o século XIX nas fazendas do sertão de Quixeramobim, município ao qual pertencia o território de Itatira. Em São Gonçalo a dança do Boi dos Caretas acontece desde 1917, e teve como primeiro coordenador do grupo o Sr. Francisco Jacaúna, depois foi o Sr. Antonio Raimundo Filho, mais conhecido como Raimundo Dêga que deu continuidade a tradição.


Atualmente o Sr. José Pereira de Sousa, mais conhecido como Zé Dêga, filho de Raimundo Dêga, é quem organiza essas apresentações na comunidade. A burrinha e o boi são os dois principais personagens dessa encenação, por serem os animais que estavam no local do nascimento de Jesus. Mas, no Reisado " Boi Dos Caretas de São Gonçalo são inclusos a ema e o jumento. Além dos animais, participam 7 caretas entre eles o Canjari, conhecido como "caboclo do boi".


O historiador Professor Vandeir Torres relata que o enredo dessa história gira entorno da morte do boi, a partir daí e a uma investigação para saber qual dos caretas cometeu o crime. O pai dos caretas os interrogam individualmente para saber quem foi o culpado. As defesas são feitos em prosa, versos e relaxos até chegar ao último careta que é o Canjari. Este por sua vez confessa, mas expõe os motivos que o levou a matar o boi. Posteriormente ele faz a divisão do boi entre o público presente através de canções falando de cada parte do boi e para quem vai doar, ao final da apresentação todos ficam satisfeitos.”


Imagem Lenno Lopes

Seu Zé Dêga atualmente mantém essa tradição com muita dedicação. O mesmo começou quando tinha 6 anos de idade, tradição vindo de seu Pai. Nunca deixou de se apresentar. Mestre nato, além de compor o cenário dessa história ele preserva tudo aquilo adquirido pelo pai, sem mudar uma só letra, repente ou tom, ele mantém como em 1917. Faz 75 anos que ele brinca e constrói sua vida nessa tradição mantida vida no município que pertence a região dos Sertões de Canindé. Hoje Zé Dêga está com 81 anos. “Me sinto orgulhoso por fazer parte da história da cultura da minha cidade, já rodei o sertão inteiro levando nossa sabedoria, nosso canto e dança. A turma se diverte e pede mais.” Palavras do Senhor Zé Dêga.

Colaboração: Lenno Lopes



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